Referencias: os quatro evangelhos.
O Evangelho manda andar quieto, com pouco peso, sem papo furado pelo caminho, indo sem força própria, mas como um cordeiro ainda que em meio aos lobos; e isso sem desejos inquietos, sem frisson social, antes, desejando paz onde se entra; e permanecendo onde quer que se seja acolhido por filhos da paz; e manda ainda o Evangelho que em se indo… — que se pregue e se cure os doentes; e que se anuncie que o reino de Deus é chegado sobre todo aquele que crê.
O Evangelho manda que se ande sem ansiedade pelo que comer ou beber; pois, o Pai sabe e cuida; antes exorta a que se busque o reino em nós como bem maior; e garante que a simples Presença Primeira do Reino em nossa existencialidade, harmoniza a vida à nossa volta, de modo que todas as coisas que nos sejam necessárias nos serão acrescentadas.
O Evangelho manda que nossa alegria seja espiritual e não fundada nas cócegas irrisórias dos valores de neblina deste mundo.
O Evangelho ordena que a ninguém olhemos com preconceito, a menos que desejemos receber o conceito de Deus contra nós.
O Evangelho manda que nossas melhores festas sejam dadas a quem nunca tem alegria, como pobres, cegos, coxos, paralíticos, marginalizados e doentes.
O Evangelho diz-nos que perdoemos sempre; mesmo que seja algo inconcebível como 70 x 7 por dia.
O Evangelho afirma que Jesus só comparece a ajuntamentos de perdão, reconciliação e harmonia; ainda que apenas de duas ou três pessoas.
O Evangelho não ensina a fazer da Fé um Show e menos ainda o Show da Fé; ao contrario, manda que tudo seja feito de modo que mesmo o maior impacto seja logo esvaziado de todo show, para que fique apenas a pessoa e Jesus.
O Evangelho manda que não se tenha respeitos humanos, mas apenas respeito pelo ser humano; sendo que o primeiro tem a ver com posições e poder; e o segundo com a mera constatação reverente do outro como um ser.
O Evangelho designa homens e mulheres para serem sal, luz, sombra, ninho, abrigo, água fresca, pão, telhado, abraço, acolhida, hospitalidade, solidariedade, verdade, justiça, presteza, integridade, honestidade, lealdade, simplicidade e amor de Deus para com todos os homens; e, antes disso, uns para com os outros como discípulos de Jesus.
O Evangelho manda fazer o bem com a ignorância da naturalidade do amor de uma pomba; e discernir o mau com o olhar de uma serpente.
O Evangelho manda amar ao próximo como a nós mesmos, pois, somente assim o bem ao próximo é feito como quem toma banho, cuida de uma ferida, e penteia o cabelo sem virtude pessoal no que faz por si mesmo.
O Evangelho manda amar a Deus sobre tudo e todas as coisas, pois, sem o amor de Deus, que coisas haverá para serem de fato amadas e apreciadas?
Ora, eu poderia escrever até morrer de exaustão, sempre dizendo o que é o Evangelho e o que ele nos ordena como discípulos. Todavia, tudo o que se diga para sempre sobre isso, jamais será mais do que o que o Evangelho é: Deus, em Cristo Jesus, reconciliando consigo mesmo o mundo; e a nós de quebra…; e nós, por essa razão, tornando-nos os mais felizes, gratos e perdoadores de todos os seres humanos; inclusive de nós para nós —; e, portanto, os pobres que enriquecem a muitos.
Mas para quem desejar conferir por só saber que algo é o Evangelho se vier “entre aspas” ou com um monte de referencias ao “livro Bíblia”, abra a Bíblia e veja.
Eu, entretanto, escrevo assim [sem referencias ou citações], de propósito, desafiando os descrentes a lerem os evangelhos a fim de encontrarem qualquer coisa que não seja exatamente aquilo que nas palavras acima ditas expressam o espírito das palavras do Evangelho.
É somente assim o caminho que leva de meninos a homens! — Boys to Men!
Nele, que é a Palavra da Vida; o Evangelho,
Caio
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E para você, o que significa o Evangelho? O que foi que o Evangelho fez por você?
Deixe a sua mensagem!
Categorias: Espiritualidade
Se você quer falar sério, ser honesto; sem auto-engano; sem auto-proteção; sem auto-ajuda contra a verdade; sem auto – lá pra nada… — então, leia as afirmações de Jesus por mim transcritas abaixo, todas sobre “mundo” numa perspectiva de sistema maligno [nem sempre este é o sentido do termo; e aí reside grande confusão]; e as responda de coração.
Ao final você saberá o que Jesus de fato significa para você e o que a Palavra Dele importa em sua existência.
Vamos lá?
E, se alguém ouvir as minhas palavras, e não as guardar, eu não o julgo; pois eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo. João 12:47
Pergunta:
Se você lesse isto e não soubesse que foi Jesus quem falou, o que você, como religioso, diria de tal pessoa?
Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais; mas vós me vereis, porque eu vivo, e vós vivereis. João 14:19
Pergunta:
Você de fato aceita a idéia de que a vida com Jesus só se faz visível no mundo pelo amor, que sem amor, nada de Deus é visto? E crê que a verdadeira vida com Deus acontece na existencialidade, no coração; e não no palco das apresentações de “fé”? Você prefere no fundo do coração que o mundo perceba você ou que Deus saiba você?
Perguntou-lhe Judas (não o Iscariotes): O que houve, Senhor, que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo? João 14:22
Pergunta:
Você não acha que a pergunta de Judas é idêntica à de um marqueteiro evangélico? Afinal, quem quer Jesus como relacionamento? A maioria o quer como ajuntamento poderoso e influente. Um Jesus Global-Grupal é melhor do que o Jesus Íntimo?
Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; eu não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize. João 14:27
Pergunta:
Se você de fato cresse nisso sua vida seria tão frágil e levada por todos os ventinhos de brisas de contratempo? Então, por que você não começa a crer e a confiar?
Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. João 15:18
Pergunta:
Por que você acha que crente tem a expectativa de ganhar o mundo e de fazer a “Igreja” a consciência moral da sociedade? E por que tudo o que a “Igreja” faz é provocar o ódio do mundo querendo mandar nele, ao invés de provocar o ódio do mundo apenas por curar e acolher os que o mundo quer que morram e desapareçam?
Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. João 15:19
Pergunta:
Você acha que poder diante do mundo significa poder diante de Deus? O mundo odeia a Jesus e ao discípulo tanto mais quanto o discípulo seja como Jesus? Se é assim, por que então essa vontade de ser “amado pelo mundo”?
E quando ele [o Espírito Santo] vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo João 16:8
Pergunta:
Você acredita mesmo nisso? E se acredita, por que, então, você tenta tanto ser o “Espírito Santo” de seu próximo, ao invés de ouvir a Voz do Espírito para você?
Em verdade, em verdade, vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, mas o mundo se alegrará; vós estareis tristes, porém a vossa tristeza se converterá em alegria. João 16:20
Pergunta:
A Ressurreição de Jesus é para você uma “certeza” histórica e uma “doutrinária cristã” [apenas], ou é o fator que energiza a sua existencialidade com força e poder e que converte tristeza em alegria todo dia?
Tenho-vos dito estas coisas, para que em mim tenhais paz. No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. João 16:33
Pergunta:
Você acredita que possuir consciência acerca da inevitabilidade da dor e da tribulação é o que põe você no caminho no qual você aprende a ter paz em Jesus, e paz acima das circunstâncias da existência? E se é assim, por que tanta revolta?
Agora é com você!
Nele, que nos chama a comer a comida e não a decorar o cardápio,
Caio
Categorias: Espiritualidade
Não permitais, pois, que o pecado venha a prevalecer nos vossos corpos mortais, entregando-vos aos prazeres da carne. Nem consitais que o corpo se torne, por assim dizer, instrumento do mal para servir ao diabo. Mas, como resgatados duma morte certa, colocai-vos nas mãos de Deus como instrumentos do bem para o servirdes. O pecado não deve vos dominar, porque já não viveis sob a lei, mas sob a graça. Romanos 6:12-14.
Ser salvo – Ariovaldo Ramos
Estava ouvindo Norah Jones, a extraordinária cantora de jazz (esse som do céu), americana, que, merecidamente, ganhou, de uma vez, 8 grammys, o Oscar da música americana, quando Judith me chamou a atenção para o fato da voz de Norah lembrar, muito, a voz duma grande amiga nossa, outra cantora maravilhosa. Imediatamente fui transportado para a realidade dessa amiga.
Nossa amiga é uma mulher que, até ser salva por Cristo, só conheceu o sofrimento, do mais atroz; consumida pelas drogas e pela violência, teve sua genialidade comprometida, de fato, era para estar vegetando sobre uma cama, foi, miraculosamente, salva por Jesus. Foi e está sendo salva, pois, ela pode ir muito mais longe. O que me leva para a questão que gostaria de lhe propor.
O que é uma pessoa salva?
Um ser humano salvo é alguém que se tornou semelhante a Jesus, como preconiza Rom 8.29. Uma pessoa semelhante a Jesus reproduz o caráter dele: ama ao Pai, a si mesmo e ao próximo como ele amou. E você sabe, o amor está, basicamente, definido em 1Co 13 e em Gl 5.22,23: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio”. Depois de amor deveria vir a pontuação “dois pontos”, porque todas as demais virtudes são componentes do amor. Uma pessoa salva é alquém que, a exemplo de Jesus, tem os dons e talentos plenamente desenvolvidos, fazendo tudo o que pode, cumprindo, cabalmente, o seu, insubstituível, papel na vida; tendo, portanto, superado seus traumas e fraquezas pelo pleno domínio da natureza divina em si. Está totalmente curada: espiritual, física e emocionalmente. Também, está curada socialmente, seus relacionamentos são sadios, não comete mais nenhum tipo de acepção de pessoas. E, finalmente, coroando o processo, todo o ambiente em que vive, suas circunstâncias estão curadas. O que implica na necessidade do estabelecimento do novo céu e da nova terra para a consecução da salvação.
Então, ninguém está salvo! Dirá você. É que, ao mesmo tempo, em que já estamos salvos, estamos sendo salvos. Como disse Paulo em Fp 2.12b: “Continuem trabalhando com respeito e temor a Deus para completar a salvação de vocês.”(BLH). A salvação tem fazes: 1- Sair do inferno – “Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.” (Col 1.13,14). Tem um lado nessa fase, que precisa ser bem acompanhado, a gente é convertido, perdoado, porém, pode trazer muitas das cadeias que nos aprisionavam: “Fazei, pois, morrer a vossa natureza terrena: prostituição, impureza, paixão lasciva, desejo maligno e a avareza, que é idolatria; por estas coisas é que vem a ira de Deus [sobre os filhos da desobediência]. Ora, nessas mesmas coisas andastes vós também, noutro tempo, quando vivíeis nelas. Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obscena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos (Col 3.5-9).
O problema é que estas questões, não só estão em nossa natureza, como, são ressaltados por nossos traumas, e pelo jeito, errado, como aprendemos a ser gente, dando espaço para o inimigo em nossas vidas. É uma fase em que, muitas vezes, precisamos de libertação, embora, estejamos convertidos. 2 – Reaprender a ser gente – “ Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8). Crescemos, na maioria dos casos, sendo gente do jeito errado: “ fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram.” (1Pe 1.18b). Logo, temos de reaprender a ser gente, que é um processo de aprendizado dos valores pregados pela Bíblia, é processo de mudança de forma de ver o mundo, pela renovação dos conceitos:”E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente.” (Rm 12.2). 3 – Tornar-se gente nova – Uma coisa é concordar com os conceitos de Jesus, outra, bem djferente é reagir como ele, amar e servir como ele. Isto é resultado de um processo de arrependimentos onde a natureza divina vai tomando todos os espaços de nosso ego, até que a beleza de Cristo se veja em nós, pela manifestação de seu caráter. 4 – Alcançar a plenitude como pessoa – Esta é uma face da salvação, da qual nem sempre nos damos conta. Uma pessoa está completamente salva quando alcançou a plena realização como ser humano, está integrada à comunidade e está no pleno uso de seus dons e talentos.
Isso pede que a Igreja seja um lugar de estímulo ao salvo, um lugar de devoção, comunhão (uma comunidade de amigos), um espaço onde todos os dons e talentos possam expressar todo o potencial recebido do Senhor. A Igreja é chamada a ser exemplo de ambiente de emancipação humana e, também, para ser agente da mesma no mundo. Por isso a ação social e politica faz parte da pregação do evangelho. Ser salvo é ter recuperado a dignidade humana em toda a sua abrangência.
Ariovaldo Ramos
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Ricardo Gondim. www.ricardogondim.com.br
Os escritores norte-americanos Phillip Yancey, Ronald Sider, Rob Bell e Jim Wallis vêm afirmando que o movimento evangélico já não consegue responder satisfatoriamente aos desafios deste milênio.
Realmente. Na Europa pós-cristã, ele permanece periférico; nos Estados Unidos, foi absorvido pela religião civil do “Destino Manifesto” – que considera o país eleito e abençoado por Deus; na América Latina seu crescimento numérico o afasta do protestantismo clássico enquanto se condena a tornar-se uma religião popular sem práxis transformadora.
Considerando a obra de Thomas Kuhn sobre mudanças de paradigmas, “A estrutura das Revoluções Científicas”, dá para perceber como o movimento evangélico se esvazia. Para Kuhn, um paradigma enfraquece quando se torna incapaz de explicar algum fenômeno científico, mesmo que já tenha servido para nortear a pesquisa. Os paradigmas, depois de convincentemente desafiados por novas evidências, precisam sofrer mudanças.
Na tese de Kuhn, enquanto um paradigma se mostrar eficiente, as pesquisas e as descobertas são graduais e cumulativas. Porém, no instante em que as inovações deixam de ser absorvidas, as rupturas passam a ser bruscas; surgem pessoas que se atrevem a desafiar tanto os antigos conceitos quanto a noção do progresso gradual e constante do saber em direção à verdade.
Muito tem sido publicado procurando um diálogo da teologia com a historiografia, psicologia, física quântica, sociologia, antropologia e até arqueologia; novos pensadores evangélicos se revezam criticando alguns pressupostos. Segundo Kuhn, todos eles pagarão um alto preço por essa aventura; seguirão Galileu, que quase morreu quando descobriu que Júpiter tinha luas. Por derrubar a astronomia ptolomaica desacreditou também a teologia que acreditava num universo geocêntrico. A igreja defendeu seus dogmas e Galileu, para salvar a pele, precisou se retratar.
Os evangélicos tentam responder à atual crise de várias maneiras.
Com a resposta piedosa. Ressoam apelos de que os crentes precisam voltar a orar. Li no quadro de aviso de uma igreja uma convocação para que os crentes entrassem numa “maratona” de oração. O pastor queria promover um avivamento espiritual colocando sua congregação de joelhos. Vale perguntar se é preciso mais intercessão ou se não é hora de repensar o conteúdo das orações. Convivi entre os pentecostais por anos e posso afirmar, sem medo de errar, que multiplicar os “círculos de oração”; não resolverá o problema.
Com a resposta legalista. Avivalistas acusam, com dedo em riste, que “o mundo entrou na igreja”. Alguns acham que conseguirão anular o declínio ético propondo que “endurecereçamos” nos usos e costumes. Os jovens, principalmente, deveriam se arrepender do estilo de vida “carnal” que adotaram. Eles esquecem que o legalismo não tem valor nenhum contra a sensualidade e que impor tantas exigências acaba gerando mais hipocrisia.
Com a resposta ortodoxa. Já escutei líderes evangélicos afirmarem que carecemos de uma nova Reforma. Alguns buscam reavivar liturgias e paramentos de trezentos anos atrás. Os evangélicos realmente se distanciaram de várias doutrinas do protestantismo do século XVI. Contudo, seria ilusão pensar que um novo Lutero resgatará o movimento. Em um mundo globalizado, com tanta complexidade cultural, uma nova Reforma, semelhante àquela, jamais se repetirá.
Com a resposta organizacional. Principalmente os estadunidenses tentam manter suas igrejas pelo viés da administração eclesiástica. Eles acreditam que a fé voltará a ser relevante com uma liturgia mais “amigável”, com uma mensagem mais contemporânea, com bons estacionamentos e criando redes ministeriais.
Diante da crise, acredito ser preciso fazer um novo “dever de casa”; admitir que urge começar a pensar fora da antiga caixa e ter coragem de enfrentar novos desafios.
Para essa tarefa, proponho que a Graça volte a ser pedra principal da espiritualidade cristã e que o exercício teológico leve, até as ultimas conseqüências, o amor gratuito de Deus; que se enfatize que Ele não faz acepção de pessoas; que se reverta a tendência de transformar as igrejas em “Bingos” onde muitos buscam milagre e poucos recebem benção. Por último, é preciso aprender a pensar globalmente. Não é possível continuar apostando que Deus prospera os crentes que gostam de supérfluos e desprezar os miseráveis dos campos de refugiados africanos e das periferias urbanas brasileiras.
Junto com o enfraquecimento de um paradigma tanto existe o desafio para que saiamos do quadrado e demos um salto qualitativo, como a possibilidade de nos condenarmos ao anacronismo.
A decisão está em nossas mãos.
Soli Deo Gloria.
Categorias: Espiritualidade
Preconceito é cegueira na alma; é viseira no todo entendimento; é tapume sobre a percepção; é um denso véu contra a luz; é uma burka sobre o espírito; é o coveiro da verdade; é o verdugo da bondade; é o diabo no ver; é o satanás do sentir; é a sepultura de possíveis reconciliações; é o enxofre humano que faz estatuas como a mulher de Ló.
Em Cristo não há homem nem mulher; nem escravo nem liberto; nem judeu nem grego; nem bárbaro, nem celta e nem nada que signifique que alguém seja alienígena para seu próximo.
Entretanto, essa visão de Cristo é para quem está em Cristo; e é apenas para quem o estar em Cristo seja um fato da vida; pois, somente assim tal verdade do estar em Cristo se torna um fato fora do texto que a propõe; se encarnando na vida de quem diz crer.
Portanto, para que esse estar em Cristo seja verdade, não pode haver preconceito.
Se há preconceito não é entendimento da Graça!
Pode alguém confessar que de si mesmo está perdido, que de Deus recebeu perdão de graça [em razão de Cristo], e ainda assim, ser preconceituoso?
Não se engane:
Todo preconceito, nenhuma Graça; algum preconceito, alguma Graça; pouco preconceito, pouca Graça; nenhum preconceito, toda Graça.
Seria então a Graça uma barganha com as nossas virtudes relacionais?
Ah! Claro que não! Entretanto, se a Graça é seiva, o fruto tem de ser amor; e no amor não há medo; e todo preconceito é medo feito hostilidade ou indiferença. Assim, onde há Graça não pode haver preconceito, assim como onde há luz não existe trevas.
Se eu digo que apesar de meus muitos preconceitos a Graça se derrama sobre mim, estou mentindo contra a verdade; pois, a Graça se derrama sobre mim a fim de me quebrantar em meus juízos e preconceitos; mas se eu neles insisto, a Graça se recolhe de sobre mim; e me deixa viver de minha anti-graça para com meu próximo.
Juízo é viver por conta própria; sem a Graça.
Dizer: “Pai, não faze acepção a meu respeito assim como não faço acepção de pessoas” — é equivalente a orar: “Perdoa-nos os pecados, assim como nós perdoamos os nossos devedores”.
Graça e preconceito são tão antitéticos quanto amor e ódio!
Assim, pare de defender seus preconceitos e suas hostilidades, e, com honestidade, saiba: caso você não converta a sua mente do estado de preconceito ao espírito da Graça, tampouco o Pai Celeste tratará você sem acepção; pois, Aquele que manda perdoar a fim de que mantenhamos a fidelidade ao espírito do perdão recebido de Deus, implicitamente ensina que do mesmo modo quem recebe Graça não pode mais antipatizar e se mostrar preconceituoso contra ninguém.
Decida: ou Graça ou preconceito? Ambos só andarão juntos se o diabo se converter.
Pense nisso!
Caio
Categorias: Espiritualidade · Sociedade
O dia do Deus da Verdade é, para o homem, o Dia Chamado Hoje.
O passado é uma lembrança.
O futuro uma fantasia.
É no Hoje que se pode verdadeiramente viver.
Além disso, o Hoje é a porta da eternidade no tempo.
Eternidade e Tempo se tocam no Momento-Hoje.
O passado é história de memórias feitas palavras, letras ou marcos. E, portanto, pertence ao tempo que deixou de ser tempo e virou recordação.
O futuro é ficção, seja construído pela esperança, pela desesperança, pela indiferença, ou mesmo pela vontade de morrer — entretanto, para o homem, é apenas um sonho, uma fantasia boa ou má. A fantasia é o estelionato do que não sendo tenta passar pelo que é.
O Dia-Hoje é fé. Sim! Ele não é ficção porque É, existe. Ora, a fé é. É Certeza. É convicção. Desse modo, somente a fé serve ao Hoje, pois o Hoje é.
A verdade é.
Deus é espírito.
Deus é.
Por isso, o encontro com Deus é Hoje, pois, o Hoje é o ponto no qual a verdade se manifesta como espírito. O espírito é. Hoje carrega espírito e verdade. Hoje, portanto, é para o homem o único dia passível de ser Dia de Deus.
Sendo Deus o Deus da Verdade, que outra relação poderia ter Ele com os homens senão no Hoje?
Afinal, por mais verdadeiro que o passado tenha sido, já não é. E por mais verdadeiro que um dia o futuro venha a ser [exato em relação ao tempo no qual era sonho no passado] — ainda assim não é nada além de especulação; pois no dia em que se tem tal certeza, o futuro já não futuro, mas presente, e, assim, já terá feito a si mesmo passado em relação a si mesmo antes de virar presente.
Portanto, passado e futuro não são. O passado por ter sido, e o futuro por ainda não ser. E quando for já não será, pois, terá se tornado passado.
O Hoje, portanto, é o único ponto no qual a verdade se manifesta.
Por isso Jesus não aceitou o passado como avalista do Hoje, e nem acatou o futuro como significação do Presente.
Foi por esta razão que Ele falou do passado com “porém” e avistou o futuro com “catástrofe”, e nem por isso deixou de verdadeiramente viver o Hoje sem saudades passadas e sem ilusões futuras.
Quem vive do passado não vive. Recordar não é viver; recordar é ter vivido.
Quem vive do futuro não vive. Projetar poder ser, mas ainda não é…; e, portanto, ainda não é vida, mas apenas uma projeção que pertence à fantasia.
A fé tem passado como esperança para hoje e tem futuro como certeza no agora. Assim, somente na fé — passado e futuro deixam de ser apenas memória e fantasia; pois, a fé atualiza tudo no Hoje, em verdade.
Por essa razão em Jesus não há destino. Afinal, que destino há se a única realidade que é, o é no Hoje?
Na fé o destino é Hoje; e, assim, se destina ao agora.
É por tal razão que para Jesus o significado de tudo está no Hoje.
Hoje é o dia. O único Dia.
O resto não é.
É — é Hoje.
Caio
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A morte morreu, a maioria de nós é que não sabe apenas porque não crê.
Morreu de Cruz. Morreu de Luz. Morreu de Amor.
Morreu de septicemia de Vida.
Morreu quando o 1º e único Verdadeiro a encarou.
Morreu pelo poder de amar mais a vida do que a morte.
Morreu porque o único humano que amou mais a Vida do que a Morte foi Aquele que por amor ao mundo morreu pela causa da Vida Eterna.
Morreu quando houve Ressurreição.
Morreu quando houve libertação do Cativeiro quando Ele subiu e concedeu dons aos homens.
Morreu porque sua ilusão foi desmascarada.
Morreu porque só matava a quem a via — todos a viam.
Matava só enquanto se não morria…
Matava porque fazia da vida a própria morte.
Matava porque se tornara patroa dos homens.
Matava porque os homens trabalhavam [e trabalham] para ela.
Matava [e mata] dando aos clamores dos homens a ela, o seu salário: a morte.
Matava porque morte se paga com morte.
Matava…
Mata a quem crê que ela ainda mata.
Mas não mata nunca mais a quem morreu, ressuscitou, ascendeu, se assentou, e está em Cristo Jesus nos lugares celestiais.
Quando Ele subiu da morte aos céus pela Ressurreição, com Ele fui levado no cativeiro que Ele fez Seu despojo, e, por isso, passei da morte para vida.
Tudo vem Dele!
Você quer?
Vem e vê!
Caio
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