Paulo, apóstolo, propôs um silogismo:
Premissa maior:
pois nele (Deus) vivemos, e nos movemos, e existimos,(1)
Premissa menor
todos (de Deus)l se extraviaram (2)
conclusão:
Não existimos mais.
Deus é o lugar de existência, rompemos com ele, não temos mais lugar para existir. Como não temos como sustentar nossa existência, não deveríamos existir mais. Nós e tudo o que foi criado para sustentar ou corroborar com a nossa existência.
O fato de existirmos exige uma interferência que contrarie e seja superior à força da lógica.
Esse fator tem de ter agido desde antes da criação, porque se antes do rompimento o fator capaz de subverter a lógica não tivesse sido deflagrado, o efeito do rompimento não teria como ser contornado.
Deus sabia que o ser humano iria cair. Por que, então, o criou?
Era uma vez quando nada tinha se passado e nem se passaria porque era a eternidade, e a eternidade é sempre e sempre é. O Deus eterno decidiu criar e tudo se fez da melhor maneira que podia se fazer. E o tempo começou.
Como falar da eternidade?
Deus criou-nos, apesar de saber de nossa escolha porque não há outro jeito de criar um ser livre.
Deus criou uma raça que iria escolher contra ele porque o seu amor não pode ser atingido pela frustração.
Deus criou porque assumiu sofrer o ônus cobrado pela justiça. A justiça cobrou o sacrifício de Deus. Foi aqui, no sacrifício, que a história começou.
Começou a história, cujo início é fruto da convulsão na eternidade. Deus teve, por decisão própria, de se sacrificar! A paz da eternidade foi quebrada na criação e restaurada no sacrifício. O que, na Eternidade, é imperceptível.
Essa dimensão da história, em que vivemos, nasce no sacrifício porque sem ele nada do que foi feito se fez.
Ariovaldo Ramos

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